Brent cai 4,6% para 83 dólares. Mundo reage a acordo entre Teerão e Washington

Brent cai 4,6% para 83 dólares. Mundo reage a acordo entre Teerão e Washington

O preço do barril de petróleo Brent para entrega em agosto caiu esta segunda-feira 4,67%, para 83 dólares, na sequência do acordo de paz anunciado entre Estados Unidos e Irão, e da prevista reabertura do Estreito de Ormuz.

RTP /
Amirhosein Khorgooi/ISNA/West Asia News Agency via Reuters

Às 06h00 de hoje (05h00 TMG), o Brent, o petróleo de referência da Europa, registava uma queda de 4,67% no mercado de futuros de Londres, para 83,27 dólares por barril, o nível mais baixo desde o início de março, dias após o início do conflito no Médio Oriente.

Lagarde afirma que não é fim de crise no IrãoA presidente do Banco Central Europeu (BCE) saudou o acordo anunciado entre Irão e os EUA, mas alertou que não resolve já a questão nuclear iraniana.

"Se a notícia for corroborada pelos acontecimentos dos próximos dias e pela assinatura de um memorando de entendimento, pelo que entendi, na sexta-feira, na Suíça, não podemos deixar de nos alegrar", disse Christine Lagarde em entrevista à emissora pública Radiofrance Culture, citada pela agência Efe.

Em particular, Lagarde destacou a importância da reabertura e desminagem do estreito de Ormuz, apontando que foi o encerramento desta via que levou a um aumento extraordinário dos custos das matérias-primas e a uma maior instabilidade mundial.

A presidente do BCE sublinhou que, apesar de tentativas anteriores não terem produzido acordos bem-sucedidos, "parece que desta vez é a certa".Ainda assim, vincou que "a história ainda não terminou" e disse que a questão do enriquecimento de urânio "continua a ser debatida" - o que era "entre aspas, um dos `objetivos` desta guerra".

A responsável registou ainda que a sua cautela também está relacionada com a existência de calendários de comunicação, tendo considerado que "não é totalmente anódino" que o pacto tenha sido tornado público no dia do 80.º aniversário do Presidente norte-americano, Donald Trump, e na véspera da cimeira de líderes do G7, que decorre entre hoje e quarta-feira em Évian, França.

Ainda assim, se o que foi acordado "é realmente a paz", "pouco importa" que os anúncios tenham sido feitos atendendo às datas.
União Europeia louva acordo A União Europeia saudou hoje o acordo alcançado entre os Estados Unidos e o Irão,realçando que deverá permitir a reabertura do estreito de Ormuz e permitir negociações mais amplas.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, frisou que deve ser restaurada a liberdade de navegação sem restrições.
Numa mensagem divulgada através das redes sociais, Ursula von der Leyen acrescentou que a liberdade de navegação é essencial para a estabilidade regional e para a economia global e que se podem "abrir as portas" a negociações mais amplas sobre a paz e a segurança no Médio Oriente.
Costa saúda acordo para acabar com a guerra no Médio Oriente
Também o presidente do Conselho Europeu, António Costa, saudou o acordo acrescentando que os europeus estão prontos para contribuir para uma "paz duradoura".


"Saúdo o fim desta guerra dispendiosa e o restabelecimento total da liberdade de navegação no estreito de Ormuz", declarou António Costa, numa publicação na rede social X, poucas horas após o anúncio de um acordo para pôr fim à guerra no Médio Oriente.
Guterres fala em "etapa crucial" para a paz na região
O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou o acordo alcançado no domingo entre os Estados Unidos e o Irão.

Trata-se, disse António Guterres, de uma "etapa crucial" rumo à paz no Médio Oriente.

"Trata-se de uma etapa crucial para uma solução pacífica do conflito", enfatizou o secretário-geral em comunicado, agradecendo a vários países pelo seu papel de mediadores, incluindo o Paquistão.

António Guterres diz no comunicado esperar que as partes aproveitem este novo impulso e "redobrem os seus esforços" para uma resolução definitiva do conflito. E reafirma que as Nações Unidas estão prontas para apoiar as partes na prossecução de uma "paz duradoura e abrangente".
Portugal saúda acordo O Presidente da República saudou o acordo ontem alcançado entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irão, esperando que este sirva para pôr um fim imediato ao conflito, incluindo no Líbano, e que a sua implementação traga a paz, segurança e estabilidade indispensáveis ao desenvolvimento de toda a região, e permita o retomar da livre circulação no Estreito de Ormuz.

"Portugal estará sempre do lado da busca de soluções diplomáticas e do respeito pelo direito internacional e agradece os esforços de todas as partes envolvidas na mediação", lê-se numa nota publicada no site do Palácio de Belém.

Por seu lado, o Governo português espera que possa ser o ponto de partida para uma paz duradoura para a região e o mundo


 


Na mensagem publicada na rede social Facebook, o Ministério dos Negócios Estrangeiros "agradece a incansável mediação do Paquistão e os importantes contributos do Qatar, da Arábia Saudita e da Turquia".
Mundo saúda acordo e foca atenções em Ormuz
Já a França e Reino Unido estão prontos para ajudar a desminar o Estreito de Ormuz, a mais importante rota de navegação marítima do Médio Oriente.

O Paquistão considera o acordo um passo importante rumo à paz, enquanto a China espera que o acordo leve a que a navegação no Estreito de Ormuz seja retomada o mais cedo possível.

A Arábia saudita saúda o acordo, alertando que os interesses de segurança dos países da região devem ser tidos em conta. 

O ministro israelita da Defesa afirmou que Israel não vai retirar as suas tropas do Líbano, Síria e Gaza.

Espanha argumenta que não se pode esquecer o "custo" do conflito.

Entretanto, a diplomacia egípcia saudou também o acordo anunciado pelos Estados Unidos e pelo Irão, acreditando que pode representar um "ponto de viragem importante" para a paz na região.

"O Egito congratulou-se com o acordo alcançado entre os Estados Unidos e a República Islâmica do Irão, que considera ser um desenvolvimento muito significativo que vai restaurar a segurança e a estabilidade a nível regional e internacional", referiu a diplomacia do Governo do Cairo.

No entanto, o Egito referiu que o documento acordado entre Washington e Teerão ainda não foi divulgado, e que "nesta fase" existe pouca informação sobre a questão crucial do programa nuclear iraniano.

Na mesma linha, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Catar manifestou o "total apoio a todos os esforços e iniciativas que visem reforçar a segurança e a estabilidade regional".

c/Agências 



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